Dakar termina com decisão histórica e brasileiros em destaque

Depois de duas semanas e cerca de 8 mil quilômetros percorridos pela imensidão de areia, pedras e montanhas da Arábia Saudita, o Dakar 2026 chegou ao fim e coroou seus vencedores. Para os competidores, uma das edições mais difíceis da fase recente da prova, ainda que a temida região do Empty Quarter não fizesse parte do roteiro desta vez. Como já é tradição, os brasileiros deixaram sua marca, com vitórias de etapa e resultados expressivos.

Atual campeão mundial de Rally Raid, Lucas Moraes estreou pela Dacia com a sétima posição final. Ao lado do alemão Dennis Zenz, o tricampeão do Sertões Petrobras se mostrou satisfeito com seu desempenho e a adaptação ao Sandrider T1+. Problemas como furos de pneu e a necessidade de andar na poeira de outros concorrentes na primeira semana dificultaram o avanço do paulista.

Ainda na categoria Ultimate T1+ dos carros, Marcos Moraes, o MEM, pai de Lucas, e Fábio Pedroso (Toyota GR Hilux DKR T1+ / SVR – MEM Motorsport) concluíram o Dakar na 53ª posição. A dupla chegou a andar entre os 30 primeiros na geral, mas o capotamento na descida de uma duna durante a oitava das 13 etapas os fez perder terreno – o que não comprometeu a prova consistente.

Na Challenger (divisão T3 dos UTVs), Cadu Sachs (foto) fechou o desafio ao lado do piloto chileno Ignacio Casale (Taurus T3 Max / BBR) com a sexta posição. O campeão do Sertões Petrobras 2023 nos carros mais uma vez conquistou uma vitória de etapa (na sexta das 13).

Enio Bozzano não teve a mesma sorte, depois de um começo positivo navegando para o argentino Pablo Copetti (MMP T3 Rally Raid). Depois de enfrentarem problemas com a assistência da equipe, eles abandonaram na 10ª etapa.

Desistência também para Maykel Justo, em parceria com o piloto português Gonçalo Guerreiro (Polaris RZR Pro R / Loeb – Fraymedia). Eles venceram a segunda etapa na SSV (UTV T4) mas, na sétima, um acidente causou uma fratura em Guerreiro e determinou o fim da linha para a dupla.

Luciano Gomes (KTM 450 Rally Replica / Challenger Racing Team) trouxe o Brasil de volta à disputa nas motos após seis anos. O experiente catarinense, duas vezes vencedor de categorias no Sertões, vinha em segundo na Master, quando uma queda ao final da quarta etapa o lesionou e o obrigou a abandonar.

Diferença mínima

Nos carros, o Dakar 2026 consagrou Nasser Al-Attiyah / Fabien Lurquin (Dacia Sandrider T1+ / Sandriders). O piloto do Catar chegou à sua sexta conquista na prova, marcada por uma disputa equilibrada envolvendo também as duplas da Ford e da Toyota. Nani Roma / Alex Haro (Ford Raptor T1+ / M-Sport Ford) terminaram em segundo, com Mattias Ekstrom / Emil Bergkvist (Ford Raptor T1+ / M-Sport Ford) na terceira posição.

Uma das duplas mais jovens da categoria, os espanhóis Pau Navarro / Jan Rosa (Taurus T3 Max / Odyssey Academy) levaram na Challenger. Bicampeonato para Brock Heger / Max Eddy (Polaris RZR Pro R / Loeb – Fraymedia) na SSV. Em sua primeira participação na Stock (modelos de produção), a Land Rover confirmou o favoritismo de seu Defender, graças a Rokas Baciuska / Oriol Vidal.

Conquista inédita do lituano Vaidotas Zala (Iveco Powerstar / Nordis De Rooy FPT) entre os caminhões. A seu lado, um nome também com história no Sertões: o navegador português Paulo Fiuza.

A definição do vencedor nas motos foi dramática, literalmente no último quilômetro. Mesmo após completar a etapa decisiva, o argentino Luciano Benavides (KTM 450 Rally / Red Bull KTM) só teve a certeza da vitória inédita ao ser informado pela equipe de cronometragem. Depois de mais de 49 horas de especiais, apenas dois segundos o separaram do norte-americano Ricky Brabec (Honda CRF 450 Rally) – a menor diferença da história do Dakar.

Brabec começou o dia 3min20 à frente de Benavides, mas cometeu um erro de navegação a apenas sete quilômetros do término da especial, o que determinou a mudança na classificação.